olhando hoje para esta fotografia, eu fico a pensar "o que fui para ti durante 15 anos? fui apenas um passatempo de vida? fui "um" alguém que deixas-te passar na tua vida e do nada já não quiseste saber? o que fui e sou para ti?" dói tanto, saber que fui acabei por ser uma pessoa completamente insignificante para ti, custa saber que hoje já não sou nada para ti! onde está todo aquele amor de pai que tu me deste? onde é que está ele? tu já não te lembras de mim. eu já não sou nada para ti, hoje sou uma desconhecida, eu sei que sou. não sabes o que passo todos os dias, não sabes o quanto me sufoca por não saber onde estás. é horrível passar noites em claras sem saber o porquê é que me fazes passar por isto tudo, sem saber o porquê é que foste embora e deixaste-me na miséria. sinto-me uma falhada. sinto-me morta por dentro, desde que foste embora. não sabes a dor que me deixaste, não sabes a ferida que me puseste no corpo. porque me estás a magoar tanto? porque me estás a fazer sofrer desta maneira? não sabes o ódio que tenho de mim.. sim, de mim, por tudo aquilo que me fazes passar e não te conseguir odiar, mas sim amar. eu carrego o peso do mundo em cima dos meus ombros, eu oiço tudo aquilo que não quero ouvir. eu lembro-me de todas as discussões, parece louco, mas por vezes ainda consigo ouvir todos aqueles gritos na minha cabeça. a que ponto é que nós chegamos? espero silenciosamente uma ligação tua, que me faça ficar mais "calma", espero todos os dias uma carta tua. quando entro naquela casa, faz-me lembrar tudo aquilo que vivi lá dentro, contigo e com a mãe. eu entro lá e vejo aquilo tudo "destruído", aquela casa que antes recebia familiares, que lá se fazia festas, que estava cheia de mobília, hoje está vazia. nem luz, nem água, nem gás, não tem nada.. simplesmente só as recordações. quando olho para as nossas fotos, eu choro de amor e ódio. porquê é que tu tornas-te ser assim? porquê é que não vens atrás de mim, como tua filha? todos os dias, lágrimas escorrem pelos os meus olhos. eu tenho saudades tuas, saudades de me quando me deitavas na cama e me chamavas de "quelinha", de quando éramos ainda uma família unida, de quando íamos de férias, de quando passeávamos . sabes o quanto me custava de te ir meter ao aeroporto à madrugada e voltar para casa sem saber quando vinhas novamente para Portugal, de quando voltava a ver-te. naquela altura, eu era pequena, não tinha bem noção das coisas. deixava-te lá e chorava e chorava, mas depois passava, mas hoje, com 15 anos, já não é assim. eu desta vez eu não sou pequena, não sou mais a menina que era, porque tu foste embora sem deixar rasto, tu deixaste-me. não te preocupas se passou fome ou não, não te preocupas se estou bem ou se estou mal, não te preocupas se tenho um tecto ou não, não te preocupas se estou viva ou se estou morta! eu sei que nos últimos dias que estivemos juntos, sei que nunca fui a melhor pessoa.. a melhor filha e arrependo-me e por mais merdas, por mais mentiras, eu não queria que isto fosse assim, não! eu sinto a tua falta, sinto falta do teu carinho, do teu abraço de pai. eu nunca me imaginei a ficar sem ti, porque tu foste meu pai. tu és a minha ferida e quando tocam nela, dói. dói da pior forma. eu preciso de ti, eu preciso de ti como à 15 anos atrás. podes ter sido a pior pessoa mas como pai foste impecável até teres falhado. não me esqueço do que fizeste por mim aquilo que nunca ninguém teve coragem de o fazer. mas infelizmente, hoje, tudo aquilo que passamos já não voltará acontecer e que eu vou tentando lidar com isso da melhor ou da pior maneira que possa existir. tenho saudades tuas e sempre terei. no fundo, nunca ninguém irá ocupar o teu lugar como pai, independentemente de tudo o que aconteceu. obrigaste-me a crescer demasiado rápido. o meu amor por ti é e sempre será sincero e aquilo que tivemos juntos, permanecerá no meu coração e na minha memória.
até um dia.
"um dia a gente encontra-se por aí. afinal, o mundo é pequeno."
até um dia.
"um dia a gente encontra-se por aí. afinal, o mundo é pequeno."
.jpg)
Sem comentários:
Enviar um comentário